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CARNES: ACAV (SC) prevê cenário positivo para avicultura brasileira em 2020
Publicado em 07/01/2020 | 13h12

Porto Alegre, 7 de janeiro de 2020 - O presidente da Associação
Catarinense de Avicultura (ACAV) José Antônio Ribas Júnior aposta que o
Brasil vai liderar o agronegócio mundial. O ano recém-encerrado foi bom para o
setor em razão, principalmente, das gigantescas compras de carnes feitas pela
China. Esse quadro vai permanecer em 2020, mas adverte que "é uma situação
episódica que não vai durar para sempre". Por isso, recomenda cautela na
ampliação da produção.

O dirigente realça que "somos competitivos em custo, temos competências
ambientais inquestionáveis, somos uma avicultura livre dos problemas
sanitários que afetam nossos concorrentes e sabemos produzir com qualidade".
Por isso, os investimentos devem ser feitos na marca Brasil e no valor agregado
dos produtos. Acompanhe abaixo a entrevista feita pelo dirigente à assessoria
de imprensa da entidade.

Por favor, faça uma avaliação de como foi o ano de 2019 para a avicultura
brasileira e catarinense.

JOSÉ ANTÔNIO RIBAS JÚNIOR - Fechamos 2019 com um saldo positivo,
comparativamente com os anos de 2017 e 2018. Se considerarmos as expectativas e
potencialidades do setor, podemos afirmar que estamos em recuperação. Voltando
a ocupar espaços e tamanho que já foram nossos. Os últimos anos foram
intensos, difíceis e com alguns dolorosos episódios. Entretanto, este último
ano foi de retomada. Vejamos alguns sinais: voltamos a crescer nas
exportações, ainda que em percentuais inferiores aos inicialmente projetados,
a produção interna cresceu e temos um mercado interno que deve começar a se
firmar. O desafio está no fato de que precisamos recuperar a rentabilidade e,
assim, modernizar o parque industrial, investir em melhorias e ampliações para
o atendimento de novas e melhores demandas. Também é importante dar retorno a
todos que investem nesta cadeia de produção. Estes são pilares importantes
que o ano de 2019 começou a construir e precisamos continuar em 2020.

As exportações brasileiras de carne de frango foram fortemente favorecidas em
razão das doenças que atacaram os planteis da China... Esse quadro se manterá
em 2020?

RIBAS - A China foi em 2019 o fato mais relevante do mercado mundial de
proteínas, tornando este país nosso principal comprador de proteína de
frango. A nova realidade de exportações, frente a situação chinesa, abriu
novos espaços e oportunidades para o Brasil. Esta é a dinâmica do mercado,
problemas em algum lugar geram oportunidades em outros. Dada a extensão e
intensidade do problema em questão, teremos a continuidade deste impacto
durante 2020 e 2021, pelo menos. Mas é importante reforçar que o crescimento
de exportação de 2019 ainda foi tímido se compararmos com a expectativa e
oportunidades que foram projetadas. Para que em 2020 possamos crescer a índices
mais elevados temos que seguir trabalhando forte na qualidade da nossa
produção sem perder de foco a competitividade. Esse é um aspecto cada vez
mais sensível na competição internacional. Nossos diferenciais competitivos
de custo, a cada ano, diminuem de tamanho. A avicultura se desenvolve a passos
largos em diversos países. Não podemos seguir achando que aqui se faz o frango
mais barato do mundo, isso não é suficiente ou sustentável. Temos que fazer
aqui o melhor frango do mundo. Isso abre portas e gera retornos sustentáveis.

Em 2020 a China continuará importando esses imensos volumes de carnes?

RIBAS - A demanda chinesa seguirá em 2020. Embora, é preciso considerar que
a produção interna por lá é crescente. A avicultura, por ter um ciclo
rápido, é capaz de apresentar crescimento de produção maior que qualquer
outra proteína. Mas a demanda mundial trará volumes adicionais ao Brasil e,
especialmente, para SC. Cabe a nós aproveitar com responsabilidade esta
oportunidade.

Algumas agências de inteligência agrícolas estão prevendo que a China
recupera sua avicultura em 2020 e, assim, deve diminuir as importações. O Sr.
concorda?

RIBAS - A recuperação da avicultura chinesa é um fato. Os chineses fecharam
o ano de 2019 como segundo maior produtor de frangos do mundo, superando o
Brasil. Como citei, a avicultura possui um ciclo de produção rápido, fato que
pode limitar o crescimento das exportações, acelerando a recuperação da
disponibilidade interna por lá. Mas, certamente, somos a avicultura do mundo em
melhores condições de atender uma demanda crescente.

Estão surgindo projetos de investimentos em novas indústrias avícolas, em
várias regiões do País. Se a situação da China for passageira, não seria
uma temeridade aumentar a produção e, mais tarde, sofrer crise por excesso de
oferta?

RIBAS - Não podemos pautar o crescimento da avicultura brasileira sobre um
único pilar, menos ainda conectada a um episódio específico. Temos que olhar
o longo prazo, entender a dinâmica deste mercado e saber exatamente o papel
que queremos exercer no cenário mundial. Somos competitivos em custo, temos
competências ambientais inquestionáveis, somos uma avicultura livre dos
problemas sanitários que afetam nossos concorrentes e sabemos produzir com
qualidade. Dados estes fatos, nosso investimento deve ser feito na marca Brasil
e no valor agregado dos produtos. Devemos colocar um mix de maior valor agregado
a disposição dos clientes mundiais. Precisamos aumentar nossa rentabilidade e
crescer, antes e acima de tudo, em faturamento. Em resumo, temos que ter muita
serenidade para um crescimento sustentável e um plano estratégico como País.

Esse episódio de surgimento de doenças na China deve deixar em estado de
alerta máximo os países produtores?

RIBAS - Independentemente deste episódio, o tema de proteção do patrimônio
sanitário do Brasil e, especialmente, de Santa Catarina deve ser agenda
número 1 de todos. Governos, empresas e produtores possuem responsabilidades
específicas e conjuntas neste tema. Nossa vigilância precisa ser ativa e
constante, com plano em execução nas frentes proativa e reativa, ou seja,
temos que realizar todos os esforços para impedir a entrada de qualquer
problema e, ao mesmo tempo, ter contingências efetivas para uma rápida
resposta caso as barreiras falhem.

O Brasil está preparado para evitar a entrada dessas doenças?

RIBAS - Há muito trabalho a ser feito. Temos o empenho do Governo, via
ministra da Agricultura, e das empresas privadas. Nossas barreiras em portos e
aeroportos ainda são frágeis, todos temos consciência. Mas, de fato, há um
movimento para evoluirmos nestes temas. Desenvolvendo estratégias de
comunicação, conscientização, inspeção e gestão de consequência. De
outra parte, desenvolvendo capacidade de diagnóstico e eliminação de focos
caso aconteçam. Nesse tema, em resumo, temos que investir em prevenção e em
capacidade de reação. Estes pontos fazem a diferença entre o sucesso e o
fracasso. Sob a ótica de campo, muito já foi feito. Nossas empresas e
produtores vem investindo em prevenção há muitos anos. Mas não podemos
baixar a guarda jamais, os esforços continuam e são acrescidas ações de
renovação da conscientização quanto aos procedimentos de biossegurança.

Quais as projeções que o Senhor faz para 2020? Vamos finalmente encerrar essa
que é (ou foi) uma das maiores recessões da história republicana brasileira?

RIBAS - São evidentes os sinais positivos de melhoria do cenário econômico
para o Brasil. Entretanto, a velocidade ainda é lenta. Nossos representantes
políticos precisam aprovar as reformas tão necessárias para o País. Um pacto
de modernização tributário, administrativo e político é necessário. A
bandeira é uma só: temos que crescer criando riquezas, isso gera novos
empregos, empregos geram mais riquezas, ou seja, a roda da economia gira e todos
ganham. Estas são forças de inclusão social e econômica. A partir disso os
investimentos em educação, saúde e todos os demais serão viabilizados. Por
consequência teremos um mercado interno forte. Este é o combustível para o
País crescer e se desenvolver. Somos um País rico em recursos, que precisa se
tornar rico em desenvolvimento humano. Estamos entrando em um novo ciclo de
prosperidade. Todos nós precisamos cumprir nosso papel de cobrar ações
rápidas e assertivas de nossos governantes e legisladores.

A cadeia produtiva da avicultura industrial está satisfeita com o Governo de
Jair Bolsonaro? Por quê?

RIBAS - Sempre queremos mais e melhores ações de Governo. Nossa posição é
de liderar o agronegócio mundial, ter protagonismo nas principais cadeias de
produção. Neste contexto, o trabalho em conjunto com o Governo tem sido
relevante. Temos uma ministra de Agricultura que conhece e fala com o setor em
alto nível. Reconhecidamente esta parceria tem conquistado novos mercados. Por
outro lado, temos uma agenda interna relevante, por exemplo: de modernização
das normas e regulamentações, de implementação de autocontrole,
simplificações operacionais, melhorias logísticas, enfim, soluções
necessárias para quem quer participar dos maiores e melhores mercados do mundo.
Temos motivos de sobra para nos orgulhar do agronegócio brasileiro,
entretanto, temos que primeiro fazer todo o brasileiro perceber isso. O que
definirá se temos um bom governo ou não, numa análise muito simples, são as
"obras" que ficam. Que legado será deixado.

O Ministério da Agricultura está sensível para os problemas do setor?

RIBAS - Nossa ministra tem sido uma interlocução presente e ativa nos
pleitos do setor. Há sempre conflitos, e estes são importantes, para que
possamos ter consistência nas decisões. O setor requer agilidade nos
processos, pois a velocidade das oportunidades exigem isso. Mas sabemos que o
debate é parte inegociável do processo decisório. Todos temos os mesmos
interesses, queremos produzir mais e melhor. Setores público e privado podem e
devem trabalhar mais juntos. Com transparência de ações e legitimidade nos
objetivos vamos, juntos, construir um Brasil e um agronegócio melhor.

As informações partem da assessoria de imprensa da ACAV.

Revisão: Arno Baasch (arno@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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