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CARNES:PorkExpo debate início de nova década de inovações para suinocultura
Publicado em 10/01/2020 | 18h00

Porto Alegre, 10 de janeiro de 2020 - Os altos e baixos do ciclo de
produção, preços e comercialização da carne suína sempre atormentaram os
produtores, normalmente a cada dois anos. Mas o que ocorreu nos últimos 24
meses no Brasil foi um teste ainda mais duro teste para os suinocultores do
país. Em 2017 e 2018, uma crise sem precedentes, marcada pela escalada de
preços de insumos e grãos, além de consumo em declínio e valores
historicamente baixos pagos pela proteína.

No ano passado, a Peste Suína Africana (PSA) avançou sobre os países do
Sudoeste da Ásia e chegou com força a China, maior produtor e consumidor da
carne, potência que devora quase 55 milhões de toneladas por ano. Não existe
um só número considerado preciso sobre a quantidade de matrizes e suínos
abatidos. Certamente, passam das dezenas de milhões. Um baque inigualável no
mercado internacional, com reflexos sobre os segmentos de avicultura, carne
bovina e pescados.

E os especialistas garantem que é um movimento que vai permanecer com a
mesma intensidade em 2020. "Pelo menos dois dos fatores que impulsionaram os
preços das carnes em 2019 devem permanecer. Falta de proteína animal na China
e o custo de produção. Logo, o cenário é de preços pressionados de novo",
analisou o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA),
Francisco Turra.

Opinião compartilhada por dois profissionais do estado que faturou quase
60% do que embarcou no ano inteiro apenas para dois compradores, China e Hong
Kong. "A China deve continuar aumentando suas importações. E temos
condições de atender parte dessa demanda adicional por causa de nossa
competitividade e boas condições sanitárias", justificou o analista do
Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola de Santa Catarina
(Epagri/Cepa), Alexandre Gieh. "O país vive um momento muito delicado e
deverá aumentar as importações de carne ao longo dos próximos meses,
certamente", opinou o secretário da Agricultura, Pesca e do Desenvolvimento
Rural do Estado, Ricardo de Gouvêa.

É um sinal positivo para quem sofreu bastante e durante um longo período.
2019 fechou com um crescimento de 2,5% na produção, em torno de 4,1 milhões
de toneladas, e exportação perto de 740 mil toneladas, quase 15% a mais do que
o ano anterior. Mercado fervendo nas carnes suína, bovina e de frango, no
Brasil e exterior.

Os chineses foram às compras devido às perdas com carne suína e levaram
mais da metade do produzido nas granjas daqui. Além disso, a arroba da
proteína bovina brasileira deu um salto gigantesco no fim do ano, puxando a
valorização de frango e ovos.

Para completar o quadro, o câmbio seguiu no mesmo ritmo, com o dólar
batendo recorde de cotações. O ano ainda foi marcado pela habilitação
intensa de mais plantas frigoríficas e novos mercados. Em suinocultura, foram
seis novas unidades pela China (completando um total de 16), entrada da
Moldávia e reabertura da Rússia.

Dentre os cortes, os que registraram as maiores valorizações de 2018 para
2019 foram a paleta desossada, o pernil com osso e lombo. E as festas de fim de
ano, data máxima de valorização, ajudou ainda mais a fechar o ano com
ótimos resultados.

O panorama foi relativizado pelo presidente da Associação Paulista dos
Criadores de Suínos (APCS), Valdomiro Ferreira Junior. "O ano não foi
inteiramente assim em termos de preço e custo. No segundo semestre, os preços
atingiram patamares nunca vistos, mas a rentabilidade foi prejudicada devido a
altas nos preços de milho e farelo de soja. E o câmbio também prejudicou
porque grande parte dos custos são com alimentação e medicamentos, que são
dolarizados", analisou.

Porém, ele pondera que, nos primeiros dias de 2020, haverá menor oferta
da carne, o que combina com o consumo reduzido do período. "Esse ajuste de
menores consumo e oferta pode afetar os preços. Penso que o setor deva manter a
cautela. O que ditará o comportamento da suinocultura brasileira será o
mercado externo. E o nível de exportação que vamos ter pode manter os preços
bastante aquecidos. O Brasil exporta de 18% a 20% de toda a carne que produz. A
expectativa é de que em 2020 se atinja algo entre 25% e 28%", complementou.

Os prognósticos seguem esses passos. Segundo a ABPA, a produção de carne
suína do Brasil em 2020 deve crescer de 3 a 4%, atingindo 4,2 milhões de
toneladas. Nas vendas externas, a previsão é de um salto de até 20%, passando
a 900 mil toneladas. É mais um ano que coincide com a realização da
"PorkExpo & Congresso Internacional de Suinocultura", que entra na décima
edição e vai reunir, nos dias 21 e 22 de outubro, em Foz do Iguaçu, milhares
de profissionais de todo o mundo ligados à produção da carne mais consumida
no planeta. Eles vão discutir o futuro do segmento dentro do tema proposto pelo
evento neste ano: 2021 - O início de uma nova década de inovações para a
suinocultura.

Mas a Pork traz mais: troca de experiências, relacionamento, inspiração,
marketing, lançamento de novas tecnologias, feira de negócios, reuniões
técnicas de empresas, mostra de trabalhos científicos, homenagem aos melhores,
chopada nos estandes e ações de marketing da Associação Brasileira dos
Criadores de Suínos (ABCS).

Várias empresas já garantiram presença na Feira de Negócios, como Avioeste,
Sta, Jacto, Tonisity, Crystal Spring, Yes, Vaccinar, Suinorte, Ordemilk, Fair
Tek, Equittec, Maxico, Maxsui, Vetoquinol, Vetanco, Microvet, Lallemand, MS
Schippers, Polinutri, Roboagro, GX do Brasil, OPP Group, Forluz, Maxsui, Lero
Agro, Nuttria, Trouw Nutrition, MSD Nutrição Animal, Agromarau GSI, Boehringer
Ingelheim, Alltech, Ceva, De Heus, , Bayer, Plasson, NTC, Farenzena, Choice e
Big Dutchman. Todas de olho na recuperação sustentável do segmento. "Depois
de vários meses de prejuízos, o produtor voltou a ter margens positivas, mesmo
que à custa de uma enfermidade, o que não agrada nenhum suinocultor. É hora
de arregaçar as mangas e trabalhar ainda mais pela carne do amanhã, que é a
nossa missão. Esperamos que todos tenham um excelente ano e marquem presença
em Foz do Iguaçu, para falarmos sobre tecnologia, qualidade, eficência,
produtividade e negócios que tenham sustentabilidade e levem saúde para
famílias brasileiras e do exterior", convocou Flávia Roppa, Idealizadora e
Presidente do evento. As informações partem da assessoria de imprensa da
PorkExpo 2020.

Revisão: Arno Baasch (arno@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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