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MILHO: Seca agrava escassez em Santa Catarina - Faesc
Publicado em 14/01/2020 | 16h00

Porto Alegre, 14 de janeiro de 2020 - A estiagem que atinge o sul do Brasil
afeta a produção e a produtividade das lavouras de milho e de soja. Para
Santa Catarina, maior importador de milho do País, a seca pode agravar o
abastecimento das cadeias de aves e suínos.

Levantamento preliminar da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado
de Santa Catarina (FAESC) aponta que a metade sul do território barriga-verde
- considerando a BR-282 como linha divisória - foi a mais afetada.

O vice-presidente Enori Barbieri acionou os Sindicatos Rurais filiados à
FAESC para obter um quadro atualizado da situação. Uma faixa territorial do
lado catarinense do Vale do Rio Uruguai, desde Itapiranga até os campos de
Lages, está comprometida. O milho retido na propriedade para nutrição do gado
leiteiro (milho-silagem) teve redução de 40%, o que certamente impactará a
produção de lácteos.

Grande produtora de grãos, a região do meio oeste foi muito prejudicada.
Em Campos Novos, 18% dos 55.000 hectares de soja, 15% dos 12.000 hectares de
milho e 12% dos 5.000 hectares de feijão foram perdidos. O município já
contabiliza R$ 45 milhões em prejuízos econômicos. No oeste e extremo oeste
as perdas situam-se em 30%

Já havia uma previsão de insuficiência de milho em decorrência de
fatores naturais (seca em outros Estados, queimadas, atraso no plantio e
redução de área cultivada) e econômicos (aumento das exportações do grão
em face da situação cambial favorável). Agora, com a extensão da estiagem,
agrava-se o quadro de abastecimento.

Barbieri assinala que é crucial encontrar novas fontes de abastecimento
interno, observando que o preço da commodittie registra elevação consistente
no mercado brasileiro.

O presidente da FAESC José Zeferino Pedrozo - que também é
vice-presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil
(CNA) - avalia que a saída será ampliar as importações de milho da
Argentina e do Paraguai.

Além disso, deve prosperar a chamada Rota do Milho que ligará o oeste
catarinense com a região produtora do Paraguai. Esse país-membro do Mercosul
situa-se muito próximo do grande oeste de Santa Catarina, produz 5,5 milhões
de toneladas, mas pode chegar a 15 milhões com o estímulo das importações
brasileiras.

Em resumo: a Faesc prevê que deve faltar milho ainda neste primeiro
semestre. "O cenário é preocupante porque, da demanda total, 96% destinam-se
à nutrição animal, principalmente dos plantéis de aves e suínos", expõe
o dirigente.

O mercado interno ficará dependente da segunda safra (a "safrinha"), a
ser colhida em julho, que responde por 70% da produção total de milho. A
safra dependerá totalmente do clima e, se as chuvas não forem suficientes, o
quadro de oferta e demanda ficará extremamente desequilibrado. A agroindústria
espera que a segunda safra de milho garanta o abastecimento no segundo
semestre, regularizando o cenário de oferta. Com informações da assessoria de
imprensa da Faesc.

Revisão: Arno Baasch (arno@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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